10 Filmes sobre o mercado de trabalho e lutas sindicais

ON THE WATERFRONT, Marlon Brando, 1954

Aproveitando a chegada do feriado do dia do trabalho, segue uma pequena lista com filmes sobre o mercado de trabalho e lutas sindicais.

obs: Tema creio eu muito importante não só pela data significativa, mas também por causa da recente discussão em volta da lei que regulamenta os contratos de “trabalhos terceirados”. Lei essa que fere forma direta os direitos trabalhistas, conquistados através de muita luta e esforço (vide: Eles não usam black tie, o representante brasileiro da lista).

Eles não usam black tie

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Sinopse: Em São Paulo, em 1980, o jovem operário Tião (Carlos Alberto Riccelli) e sua namorada Maria (Bete Mendes) decidem casar-se ao saber que a moça está grávida. Ao mesmo tempo, eclode um movimento grevista que divide a categoria metalúrgica. Preocupado com o casamento e temendo perder o emprego, Tião fura a greve, entrando em conflito com o pai, Otávio (Gianfrancesco Guarnieri), um velho militante sindical que passou três anos na cadeia durante o regime militar.

Porque ver: Crítica completa Eles não usam black tie

Sindicato dos ladrões

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Sinopse: Terry Malloy (Marlon Brando) é um ex-boxeador que costumava ser grande, mas que se tornou pequeno ao entrar para a gangue exploradora de Johnny Friendly (Lee J. Cobb). Quando uma trabalhador inocente morre, Terry sente-se culpado e começa a tentar consertar suas ações passadas lutando diretamente contra o sindicato, sofrendo também as conseqüências. Durante a luta, acaba por se apaixonar pela irmã do falecido, a jovem e inocente Edie Doyle (Eva Marie Saint). Vencedor de 8 Oscar, incluindo Melhor Filme, Diretor e Ator (Marlon Brando).

Porque ver: Sindicato dos ladrões é uma das obra primas dirigidas por Elian Kazan (Uma rua chamada pecado). Um filme forte, elegantemente dirigido e com atuações impressionantes (principalmente do astro Marlon Brando). Um dos melhores filmes de todos os tempos.

Terra Fria

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Sinopse: Após um casamento fracassado, Josey Aimes (Charlize Theron) retorna à sua cidade natal, no Minnesota, em busca de emprego. Mãe solteira e com dois filhos para sustentar, ela é contratada pela principal fonte de empregos da região: as minas de ferro, que sustentam a cidade há gerações. O trabalho é duro mas o salário é bom, o que compensa o esforço. Aos poucos as amizades conquistadas no trabalho passam a fazer parte do dia-a-dia de Josey, aproximando famílias e vizinhos. Incentivada por Glory (Frances McDormand), uma das poucas mulheres da cidade que trabalha nas minas, Josey passa a trabalhar no grupo daqueles que penam para arrancar o minério das pedreiras. Ela está preparada para o trabalho duro e, às vezes, perigoso, mas o que não esperava era sofrer com o assédio dos seus colegas de trabalho. Como ao reclamar do tratamento recebido é ignorada, ela decide levar à justiça o caso.

Porque ver: O filme trata de temas pouco explorados no cinema: assedio no trabalho e a luta pelo direito da mulher. O filme é dirigido com segurança pela direta Niki Caro (Encantadora de baleias) e tem ótimas atuações (realistas e pungentes).

O homem de Ferro

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Sinopse: Varsóvia, 1980. O Partido Comunista envia Winkel (Marian Opanian), um repórter alcoólatra, a Gdansk para investigar as greves dos trabalhadores portuários. Um dos principais líderes do movimento é o jovem Maciej Tomczyk (Jerzy Radziwiłowicz), cujo pai foi morto durante os protestos de 1970. Infiltrado, Winkel consegue entrevistar os que estão ao redor de Tomczyk, incluindo sua companheira, Agnieszka (Krystyna Janda). O jornalista acaba se deparando com uma realidade diferente da que imaginava, o que muda completamente sua visão do regime comunista e do próprio Tomczyk.

Porque ver: O filme é dirigido pelo aclamado diretor Andrzej Wajda  (Danton – O processo da revolução), um dos diretores que mais engajados e políticos do cinema moderno, enfim um cara que entende do assunto. O filme foi o ganhador da Palma de Ouro em Cannes. Trabalho formidável e de importância indiscutível!

Germinal

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Sinopse: Durante o Século XIX, os trabalhadores franceses eram explorados pela aristocracia burguesa, que dava condições miseráveis para seus empregados. Em uma cidade francesa, os mineradores de uma grande mineradora, decidem realizar uma greve e se rebelam contra seus chefes, causando o caos.

Porque ver: É baseado na homônima obra do autor Émile Zola.  Germinal é um ótimo filme. Um retrato impactante da revolução industrial, que mostra agruras dos empregados e a luta deles por melhores condições de trabalho e de vida.

Como Era Verde o Meu Vale

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Sinopse: Huw Morgan, um homem com mais de 50 anos, se prepara para deixar o vale onde sempre viveu. Ele passa a relembrar acontecimentos marcantes de sua vida, em especial a época em que tinha seis anos de idade (Roddy McDowell). Seu pai, Gwilym Morgan (Donald Crisp), e os irmãos mais velhos trabalhavam na mina de carvão local, principal empregador do vale. Sua mãe, Beth (Sara Allgood), e a irmã Angharad (Maureen O’Hara) cuidavam da casa. Quando os lucros diminuem o sr. Evans (Lionel Pape), proprietário da mina, resolve diminuir o salário de todos os funcionários. Isto provoca uma greve geral, que dura 22 semanas e divide a família Morgan. Enquanto Gwilym se recusa a entrar em greve, os irmãos de Huw resolvem aderi-la. Paralelamente Angharad se apaixona pelo sr. Gruffydd (Walter Pidgeon), o pregador do vale.

Porque ver: O filme é dirigido pelo mestre John Ford (No Tempo das Diligências, Rastro de ódio), o que já é motivo suficiente para ser assistido. Ganhou 5 Oscars, para muitos numa das maiores injustiça do cinema, afinal ele ganhou o Oscar em cima do cultuado Cidadão Kane. Enfim, apesar das rixas cinematográficas “Como era verde o meu vale” é um grande filme e merece muito ser revisitado.

Pride

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Sinopse: No ano de 1984, Margaret Tatcher está no poder e os mineiros estão em greve. Depois do orgulho gay chegar em Londres, um grupo de ativistas gays e lésbicas decide arrecadar dinheiro para enviar às famílias dos mineiros. Mas a União Nacional dos Mineiros parece um pouco constrangida em receber esta ajuda. Os ativistas não perdem o ânimo, decidem entregar a doação pessoalmente e partem em direção ao País de Gales. Assim começa a história improvável de dois grupos que não tinham nenhuma relação, mas se uniram em prol de uma causa.

Porque ver: Uma divertida comédia inglesa, que toca com sutileza em temas como preconceito sexual e luta operaria. Um bom exemplo de humor inglês, suave, engajado e inteligente.

Ou tudo ou nada

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Sinopse: Sheffield é conhecida como a “cidade do aço”, devido ao grande numero de empresas do setor instaladas no local. Atualmente em declínio, as indústrias cada vez mais realizam demissões, o que gera um grande número de desempregados. Um deles é Gaz (Robert Carlyle), que está prestes a perder a custódia do filho por não ter dinheiro para sustentá-lo. Seus amigos não estão em situação muito melhor: Dave (Mark Addy) está com depressão e convencido de que a esposa não está mais interessada no casamento; Lomper (Steve Huison) cuida da mãe e tem tendência suicida; e Gerald (Tom Wilkinson) mente há seis meses para a esposa, dizendo que permanece empregado. Após perceber um grande número de mulheres dispostas a pagar para assistir um show de strippers, Gaz tem a ideia de que eles e os amigos estrelem um show do tipo. A diferença é que eles, ao contrário dos concorrentes, pretendem tirar toda a roupa no espetáculo.

Porque ver: Filme irmão do “Pride”. Uma comédia inglesa, com pitadas de drama, sobre desemprego. Um filme muito divertido, com um humor tipicamente britânico que faz rir e pensar na medida certa.

Pão e rosas

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Sinopse: As irmãs Maya (Pilar Padilla) e Rosa (Elpidia Carrillo), mexicanas de sangue quente, trabalham no serviço de limpeza de um prédio comercial no centro da cidade. O destinou colocou Sam (Adrien Brody), apaixonado ativista americano, no seu caminho, o que as leva a uma campanha guerrilheira contra seus patrões. A luta ameaça seu sustento, a família e faz com que corram o risco de serem expulsas do país.

Porque ver: A direção é do cineasta Ken Loach (Vento e Liberdade) um dos diretores mais engajados do cinema inglês atual. Esse filme é um bom exemplo do talento Loach, pois ele faz um filme engajado e político, mas que nunca deixa de lado os seus personagens e as emoções movem eles. Enfim, um filme politico, mas antes de tudo humano.

O Corte

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Sinopse: Bruno Davert (José Garcia) é um executivo francês, que perde seu emprego. Dois anos depois ele continua desempregado, o que o leva ao desespero. Decidido a recuperar o antigo cargo, ele decide matar seu atual ocupante e todos os candidatos da empresa em que trabalhava com potencial para ocupá-lo.

Porque ver: Um suspense, com humor negro, incisivo e impactante do grande Costa Gravas (Z, Amém) sobre a competitividade desleal no mercado de trabalho. Uma fabula obscura e violenta sobre nossa obrigação de vencer na vida.

Menções:

Auto ajuda profissional: A procura da felicidade e De porta em porta (ambos os dois filmes são bons e bem realizados. Ponto.)

Chefes infernais: Como enlouquecer seu chefe (ótima comédia), Quero matar meu Chefe 1 e 2 (eh!…ok), Assédio Sexual (para falar a verdade não lembro muito do filme).

Outras citações: Matewan – A luta final, Daens, um Grito de Justiça, Os Companheiros, F.I.S.T.

obs: Essas Outras citações são na verdade são filmes que encontrei na minha pesquisa, mas que ainda não tive a oportunidade assistir. ):  Se você viu algum deles ou quer sugerir outros filmes para o tema escreva nos comentários!

 

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