10 motivos do porque que “Mad Max: Estrada da Fúria” é o melhor filme de ação dos últimos anos

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Mad Max: Estrada Fúria não é só melhor que seus antecessores, como também expande de forma inimaginável toda a mitologia da série cinematográfica. Além de ser o melhor, e mais insano, filme de ação dos últimos anos.

George Miller e sua equipe conseguiram o impossível. Construíram uma superprodução dentro do esquema de Hollywood, mas com a liberdade de um filme autoral. A saída para isso foi levar as filmagens para longe dos executivos e se isolarem no meio do deserto. No caso num deserto localizado na Africa, onde as filmagens duraram por quase um ano.

“Mad Max: Estrada para Fúria” é um cinema que vai contra todas as regras do atual “cinemão Hollywoodiano”. Não há piadinhas, calculadas milimetricamente, para aliviar a tensão entre cada cena de ação. A ação, em si, vai muito além do que publico atual esta acostumado. Uso dos efeitos digitais é feito de forma orgânica e sem exagero. Os conceitos do mundo apocalíptico proposto não são demasiadamente explicados, de forma didática, como virou moda nos filmes atuais. A violência não é gratuita e sim parte orgânica daquele mundo desolado…

Enfim, George Miller derramou “vodca na vitamina de leite com pera” da nova geração. A questão é se a geração vai ter coragem de provar dela agora.

1 – Não é só fiapo de história / 2- Max, graças a deus, coadjuvante do próprio filme

A história desse novo capitulo da saga Mad Max é simples até demais. Mas questão é. O fio condutor das tramas da série Mad Max nunca foram histórias complexas. O primeiro é um filme de vingança clássico. O segundo é um filme sobre, Max, um andarilho que ajuda uma cidadela, de pessoas pacificas, contra seus arquirrivais, psicopatas e malucos, que querem tomar os recursos do lugar. O terceiro filme é, basicamente, Max adentrando numa cidade perigosa, lá ele se mete encrenca com os chefões do lugar e em seguida por ventura encontra uma tribo de garotos perdidos e ajuda eles.

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Voltando ao Mad Max novo, a trama é simples. Até besta. Mas, em contra partida os arcos dramáticos e a personalidades dos protagonistas (e coadjuvantes) são muito melhor desenvolvidas do que nos filmes anteriores. Sem falar em toda expansão do mundo apocalíptico proposta por esse novo filme. Então não é só um fiapo de história, são vários fiapos de histórias que juntos constroem um imaginativo e original universo futurista. E que dão ao filme uma unidade narrativa mais consistente que 90% das produções atuais.

Em relação a construção dos personagens temos aqui um monte de figuras fortes e interessantes. O que realmente ofusca um pouco o Max. Mas vamos falar a verdade Max sempre foi coadjuvante de seus filmes. Com exceção do primeiro longa. Porque nos outros filmes ele é só um andarilho. Ele é só quem norteia a ação. Nosso avatar naquele mundo. Uma lenda.

3 – O futuro sem esperança se torna real

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Em Mad Max 4 nada é simplesmente criado só por criar, todas as roupas, os personagens, os gritos de guerra são referencia ao mundo que se foi. Como se aquele futuro fosse uma “mistureba” de tudo que existiu algum dia (lendas, cultura, arte e etc), só que reorganizado pelas mentes doentias que habitam aquele mundo. Notamos isso: na referencia ao “Valhalla” o céu Viking, no culto ao automobilismo, no uso dos volantes como instrumento de guerra, no conceito literal de bolsa de sangue, nos estranhos carros de guerra e etc. Por exemplo, o veículo que tem com um guitarrista (com uma guitarra que cospe fogo) e vários percussionistas batucando na parte de trás. Esse veículo é uma espécie de evolução bizarra daquelas bandas (de tambores) que seguiam os exércitos até o campo batalha. Outro bom exemplo é próprio vilão Immortan Joe, que apesar de ser um velho com sérios problemas de saúde veste uma armadura (que não por acaso) lhe da certa imponência. Armadura dele ironicamente simula “peitoral sarado”, com o claro motivo de esconder sua fragilidade diante seus súditos e, claro, alimentar seu próprio ego.

Tudo feito com maior cuidado para criar essa representação pessimista e surtada de mundo, onde a razão foi para de baixo do tapete.

4 – Poesia do caos / 5 – O filme é magistralmente barulhento

Filme já começa a todo vapor: com muitas e longas perseguições de carro, muita tensão entre os personagens (ninguém pode confiar em ninguém) e etc. Pausando um pouco somente depois da primeira metade de filme, para que o publico possa juntar as peças e entender um pouco daquilo tudo.

O filme funciona como uma ópera futurista. Cada cena do longa é uma verdadeira pintura em movimento. Que representa, hora de forma realista e hora de forma poética (vide: a tempestade de areia), todo o caos daquele mundo.

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As imagens como foi dito a cima são de uma beleza inquestionável. O mesmo pode ser dito do desenho de som e da trilha sonora do filme. Pois, são esses elementos sonoros que dão tom da narrativa. A trilha sonora é empolgante e passa de forma muito eficiente toda a energia contida no filme. Trilha Sonora hora se torna edificante sem ser piegas, hora representa toda a loucura que vemos na tela, hora se mistura aos sons diegéticos (guitarra e tambores do veículo citado a cima), hora é minimalista para entendermos melhor a motivação dos personagens.

A trilha e desenho de som são partes cruciais do longa. Afinal, o que é uma opera sem música.

6 – George Miller sabe realmente filmar cenas ação

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Miller faz um filme muito acelerado, quase sem respiro, claramente para passar ideia de urgência e agonia. Não há tempo para ficar parado, isso fica claro até na linguagem adotada pelo diretor. Que as vezes acelera os quadros do filme, a perseguição inicial onde Max tenta fugir de seus algozes, o que da ao longa nesses momentos uma cara de filme mudo (algo meio Buster Keaton). Em outros momentos Miller usa edição rápida para nos poupar detalhes desnecessários.

Já nos momentos cruciais da ação ele faz o contrário usa uma edição paralela, dilata tempo da ação ao máximo, criando situações tensas e até desajeitadas. Então aquela bomba que está preste a explodir não vai explodir rapidamente, o personagem vai passar muitos apertos antes de se livrar ou explodir com o artefato. Enfim, ação dura muito mais do que normal, então fica difícil não se segurar no braço da poltrona durante o filme.

Mas, o mais impressionante da direção Miller está na sua capacidade de controlar o numero gigantesco de informações (e personagens) que surgem na tela a todo tempo.

7 – O elenco é muito bom e os personagens bem construídos

O elenco é outro ponto forte do filme. Começando com Tom Hardy (A entrega, Guerreiro, Bronson) que encarna um Max com menos carisma, mas com imponência e seriedade. Charlize Theron (Jovens adultos, Terra Fria, Monster – Desejo assassino) da um show com a sua personagem Imperatriz Furiosa, passando um misto de força, liderança e fragilidade emocional. Furiosa é a personagem central do filme, logo é a personagem mais bem desenvolvida. O terceiro personagem de maior destaque é Nux (interpretado pelo ator Nicholas Hoult). O personagem Hoult é o que tem maior curva emocional e um arco dramático mais definido. Hoult cria um personagem carismático, engraçado e trágico na medida certa. Por fim, fechando o quarteto de maior destaque vêm Hugh Keays-Byrne (Mad Max – vilão primeiro filme) interpretando o já citado vilão Immotan Joe. Byrne é um veterano e sabe como criar uma figura ameaçadora. E o faz muito bem aqui.

Além desse quarteto temos outros personagens de vital importância para trama. Por exemplo, as fugitivas e as mulheres guerreiras. Que acabam sendo personagens tão fortes e carismáticas quanto todos os outros já citados. Temos também vários personagens menores que acabam chamando atenção, seja pelas suas roupas, pelas suas atitudes ou suas funções especificas na trama.

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O longa é feminista? Sim. Não. É basicamente um filme onde as mulheres tomam as rédeas da situação. Claro, que temos situações e diálogos que são claras referencias contra as ideias machista. Temos situações que mostram que as mulheres são tão fortes e capazes quanto os homens. Temos todo um texto contra objetificação da mulher e a favor da igualdade entre os sexos e etc. Mas, no fim das contas é só um filme onde as mulheres estão no comando da ação. Se isso faz do filme, um filme feminista. Então que seja. Mas que venha mais filmes feministas assim, porque personagens interessantes como Furiosa fazem falta no cinema.

8 – A Fotografia usa cores fortes e é linda

Nem vou falar muito. Veja as fotos confiram ótimo uso da cor no filme. O belo uso da temperatura de cor: o laranja forte nas cenas de dia (calor) e azul nas cenas da noite (frio). Tem até uma cena que isso funciona em conjunto e resultado é muito bonito. Por exemplo: na cena em que Max e Furiosa estão no banco da frente do veículo sob uma luz azul vinda da noite e as garotas estão no banco de trás com uma luz laranja forte no rosto vinda do calor de uma vela.

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9 – A ação é de verdade

O diretor George Miller é das antigas, então ele prefere efeitos técnicos e a CGI em demasia. Não que ele não se de bem com efeitos de computação, afinal ele ganhou Oscar pela animação “Happy Feet”. Mas, para esse filme ele preferiu uso de pouco CGI. O que subiu muito custo da produção. Mas, quer saber? Fez toda diferença. Da uma olhada no vídeo de um trecho do making off do filme:

10 – O filme tem coragem

Sabe quando temos uma chuva de sangue no novo “A morte do demônio” ou quando Scorsese faz um “O lobo de wall street” sem filtro algum ou aquela cena WTF da coxa de frango no Killer Joe. Isso é cinema com coragem. Cinema sem medo desagradar ou chocar publico conservador. E é isso que o novo Mad Max 4 faz. O filme surta sem medo do público não entender ou não gostar.

Miller estabelece um mundo que funciona perfeitamente dentro da lógica que ele criou, povoado por gente surtada, com ação ininterrupta (ao mesmo tempo bonita visualmente e desajeitada), com piadas de um humor negro e cheio de sadismo.

Enfim, o filme não tem medo, de sacrificar personagens importantes, de fazer piadas de gosto duvidoso. Vide: a piada sobre castidade ou a cena onde o parteiro afia as facas como se fosse cortar um pedaço de carne e etc.

Mad Max 4 não traz para nova geração as aventuras de Max. Nem faz uma modernização da série. É simplesmente o Mad Max que Miller sempre quis fazer, mas não tinha dinheiro ou estúdio não deixou. Mad Max 4 é um Oasis de originalidade e loucura no marasmo dos Blockbuster atuais.

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