25 dos Melhores Álbuns de 2014 (por Marcelo Lopes Vieira)

marcelo

Algo que sempre me incomoda deveras é o fato das listas de melhores do ano começarem a pipocar em meados de novembro. Como assim? Ainda falta um mês para o fim do ano e, principalmente no âmbito musical, o calendário de novidades se encerra por volta da segunda semana de dezembro. Esse ano em questão, tivemos um dos mais aguardados álbuns do ano sendo lançado neste período, o ótimo Rock Or Bust, do aclamado grupo australiano AC/DC. Geralmente, gosto de lançar minhas listas dos melhores álbuns em fevereiro do ano seguinte, pois tive o tempo hábil de digerir a maioria dos lançamentos daquele período de modo efetivo. Como a lista abaixo sai no momento em que me faltam ainda cerca de 90 lançamentos de 2014 a serem apreciados, apresento os 25 dos melhores que ouvi, até o momento. Mesmo não segregando álbuns nacionais e internacionais, acho será um bom número, visto que encontrei poucos lançamentos nacionais de qualidade este ano (Banda do Mar, O Terno, Crioulo e afins não me apetecem em suas pseudo-vanguardas autoproclamadas).  No âmbito geral de minha tentativa em ser o mais eclético possível nas audições, acabo tendo um trabalho hercúleo, mas não menos prazeroso, em ouvir cerca de 25 discos novos por semana, o que nos rende uma triagem muito limitada para esta lista que vos apresento. O ano de 2014 para os garimpeiros musicais foi qualitativo, mas ao mesmo tempo enraivecedor para os que não caem nas teias das sonoridades metidas a diferenciadas e alternativas de pseudo-vanguardistas, que vangloriam musicalidades amorfas e desarmônicas, como falsos ídolos da intelectualidade musical. Ouvi muitos álbuns que rompiam com a harmonia musical em prol de ufanismo “intelectualóide” em uma forma desmazelada de se fazer música. Como o mercado musical mudou, os que se dizem apreciadores da boa música estão enaltecendo a autoindulgência tanto na verborragia de distorções musicais quanto nas odes ao minimalismo harmônico em canções alternativas sem razão de ser, sem trazer nada de relevante a não ser se alocar num nicho de audiências autoproclamadas “de entendedores acima do bem e do mal”. Quando tais elemento se mostram em favor da música, que valoriza um estrutura harmônica, que trabalham em prol de construir verdadeiras canções e não de ser diferente por ser excêntrico, é de encher os olhos de lágrimas de um apreciador de música (a exemplo do Gazpacho, citado abaixo). Enquadro-me neste contexto e, talvez por isso, você não encontre aqui os nomes que gostaria. Mas vamos a vinte cinco dos melhores álbuns de 2014…
 

H.E.A.T.: Tearing Down The Walls. O álbum que mais ouvi em 2014, sem sombra de dúvidas. Esta banda é praticamente desconhecida no mainstream, mas aos que acompanham as cenas hard rock ou melodic rock ela já é quase uma unanimidade. Tempero pop na medida certa, solos contagiantes em um álbum que não possui defeitos. O melhor do ano para este que vos escreve. Este álbum já foi comentado por mim na postagem http://uvarau.com.br/5-discos-de-2014-que-voce-precisa-ouvir/.

Slash feat. Myles Kennedy & The Conspirators: World On Fire. Aqui está o disco que mais galgou posições dentro de minhas predileções no ano que se encerra. Uma aula de riffs, refrões e composições fortes, onde Slash lança suas melhores composições desde os dois Use Your Illusion e mostra coragem em canções como Battleground e The Unholly. Definitivamente, a dupla com Myles se fortaleceu e o guitarrista encontrou a voz que faltava para acompanhar sua guitarra após tantos anos. 

 
Transatlantic: Kaleidoscope. Este álbum é indicado aos que limitam o progressivo às enfadonhas canções do Dream Theater. Aqui, a textura musical é quase palpável, tamanha a sensibilidade presente nas geniais composições. Mesmo em músicas extensas como Into The Blue e Kaleidoscope, a técnica esta sempre empregada em prol da musicalidade e em nenhum momento seus músicos descambam para o ufanismo musical muito commu ao estilo..
 
 
Flying Colors: Second Nature. Um dos álbuns mais esperados por mim chegou com sabor amargo. O primeiro single foi para a pior faixa do disco, Mask Machine, que transpira influências do deplorável Muse. Mas no contexto final do álbum ela até que ficou bem encaixada. A verdade é que, salvo este deslize, as outras composições são magníficas, trazendo menos elementos do pop rock elencados no irrepreensível primeiro álbum e investindo mais nas sonoridades progressivas, alicerçadas no talento sem par de seus músicos. Um belo álbum.
 
 
Gilberto Gil: Gilbertos Sambas. Gilberto Gil entoa algumas das melhores composições de João Gilberto, nosso excêntrico arauto da Bossa Nova. Além de registro histórico, é muito salutar aos ouvidos experimentar Gil saindo de sua zona de conforto em uma era onde a música brasileira necessita, de modo urgente, resgatar a qualidade do passado. Entretanto, não são apenas covers, pois a essência do Gil esta presente em cada interpretação dos acordes do João, formando um perfeito amálgama dos melhores Gilbertos da nossa música. Indispensável.

Preservation Hall Jazz Band: That’s It. Álbum comentado por mim na postagem http://uvarau.com.br/5-discos-de-2014-que-voce-precisa-ouvir/


 
Black Magic: Wizard’s Spell Álbum comentado por mim na postagem http://uvarau.com.br/5-discos-de-2014-que-voce-precisa-ouvir/
 

Hozier
Hozier: Hozier Álbum comentado por mim aqui.
 


 
The New Mastersounds: Therapy Album comentado na postagem http://uvarau.com.br/5-discos-de-2014-que-voce-precisa-ouvir/

Rival Sons: The Great Western Valkyrie. Atual sensação do mundo do rock n’ roll, o Rival Sons uniu de modo ímpar a fúria das guitarras setentistas com a psicodelia dos anos 60. Este conjunto de canções explode como a melhor forma de forjar o velho rock n’ roll no calor da modernidade, que me perdoem os fãs do superestimado Jack White.
 

Bombay Groovy: V2.0. Banda paulista originalíssima em sua proposta destemida. Trocaram a formação básica de um uma banda de rock, trocando o guitarrista por um sitarista e homogeneizaram elementos de nomes como Pink Floyd, Led Zeppelin, Ravi Shankar e Violeta de Outono. Uma bela novidade nacional que foge da vanguarda musical dos “descoladinhos” brasileiros que aparecem no canal Bis.
 
 
 
Cavalera Conspiracy: Pandemonium. Lembra dos irmãos Cavalera? Brasileiros que nos davam orgulho em práticas rudimentares e brutais de heavy metal? Pois bem, eles voltaram! Sim, eu sei que há muito tempo, mas neste Pandemonium podemos amainar a saudade de tempos áureos em composições dignas do título de “clássicos instantâneos”. Tente ouvir Babylonian Pandemonium, Bonzai Kamikazee e Cramunhão sem praticar o headbangin’.


Seventh Seal: Mechanical Souls. Mais um representante do heavy meta nacional se faz presente neste longo enumerado. Baseado na obra de Phillip K. Dick que inspirou o filme Blade Runner, a banda paulista mostra que um hiato mais longo contribui para a excelência das composições. Além disso, temos a inclusão do vocalista Leandro Caçoilo (ex Eterna) para emoldurar a sonoridade complexa apresentada no instrumental. Ouça Virtual Ego e note como o heavy metal pode ser moderno e simultaneamente ecoar o passado.
 
 
Pain Of Salvation: Falling Home. Uma de minhas bandas preferidas pôs em prática novamente sua maior qualidade: inquietação musical. O Pain Of Salvation é um dos mais diferenciados nomes dentro da cena musical e seu mentor, Daniel Gildenlow, é um gênio ainda não aclamado. Neste álbum, eles revisitam suas canções e alguns covers em formato… Jazz! Isso mesmo, eles transformaram suas bases pesadas em arranjos jazzísticos belíssimos. Verdade seja dita, alguns deles já permeavam suas composições brilhantes. Vá até o youtube e experimente os novos sabores de Holy Diver, clássico de Ronnie James Dio, presente nesta obra prima.
 

Pink Floyd: Endless River. “O Disco do Ano”! Não seria exagero rotulá-lo desta forma, pois foi o mais aguardado desde seu anúncio e também o mais comentado desde seu lançamento. Execrado por críticos iludidos que não conseguiram interpretar as declarações dos músicos e se ancoraram em seus próprios desejos, este álbum é, em sua essência, uma homenagem a um dos pilares de uma das maiores bandas da história da música e que foi injustiçado no decorrer da história dentro do Pink Floyd. As canções transitam entre as diversas fases da banda, quase como um quebra cabeça para os fãs assimilarem e se deleitarem, pois toda a musicalidade dos ingleses está ali. Entretanto, uma canção como Anisina, em toda a sua beleza, não significa nada para ouvidos que não sabem ouvir. Para estes, bastaria Louder Than Words, pois se emocionariam com a canção, mesmo não conseguindo entender sua mensagem.
 


 
Opeth: Pale Communion. Faz tempo que o Opeth deixou de ser uma banda de música extrema e desfila o melhor do rock progressivo setentista. Neste álbum, conseguiram atingir o ápice de suas influências, dando orgulho a Robert Fripp. Sem mais palavras, basta ouvi-lo para reverenciá-lo. 

Exodus: Blood In, Blood Out. Desde o sensacional álbum Tempo of the Damned, o Exodus não empolgava tanto com um novo conjunto de canções. É impossível, se você é um apreciador do verdadeiro thrash metal americano, não se empolgar com pérolas brutais como Black 13, Collateral Damage ou Salt In The Wound.

 
Gazpacho: Demon. Lembra-se da conversa inicial sobre verborragia de distorções musicais em canções alternativas que se mostram em favor da música, valorizando a estrutura harmônica? Pois é, eis o maior exemplo de 2014. Um álbum irrepreensível que transita nas mais diversas influências e pratica um som de vanguarda sem ser ufanista.
 
 
Kris Bowers: Heroes and Misfits. Álbum comentado na aqui
 
 

Luiz Melodia: Zerima. Esta peça não necessita de comentários. É Luiz Melodia fazendo que sabe de melhor, interpretações fenomenais em um repertório extremamente bem escolhido. Dispa-se de seus preconceitos e aprecie um verdadeiro cantor.

 
 
Foo Fighters: Sonic Highways. Este álbum começou sua primeira audição em volume 3 e terminou no 10. Belas canções em um conjunto de harmonias corajosas, em busca de novas sonoridades e influências para a música do Foo Fighters. Something From Nothing, Congregation e I am A River mostram que Dave Ghrol acertou novamente.
 
 

Thievery Corporation: Saudade. Uma das melhores descobertas musicais que fiz este ano! Um álbum que transpira sensibilidade musical, sonoridades extremamente harmônicas e qualidade altíssima. Não deixe de conferir, pois destacar uma única faixa separadamente seria uma injustiça irreparável. Só digo que se tens apreço pelas músicas de qualidade duvidosa que Mallu Magalhães e seu marido praticam, irá se deliciar com as harmonias adultas e aquém daqueles clichês “pseudo-vanguardistas” aqui desenvolvidas.
 

 


 
Agnata Fides: Agnata Fides EP. Álbum comentado por mim aqui.
 
 
Judas Priest: Redeemer Of Souls. O melhor álbum dos Metal Gods desde a volta de Rob Halford aos vocais. As canções estão com mais energia, claramente em tons diferentes do passado e menor velocidade para se adequar à envelhecida, mas não depreciável, voz de Halford. Nestas condições, ganharam em peso e a banda parece renovada. Grande parte deste fato se deve a admissão de Richie Faulkner para as guitarras. Ele esteve presente na composição de todas as faixas que, acima de tudo, nos trazem uma aula de heavy metal tradicional em 2014.

 

 

 

Johnny Hollow: A Collection Of Creatures. Album comentado na postagem http://uvarau.com.br/5-discos-de-2014-que-voce-precisa-ouvir/

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