4 álbuns de 2015 que arrependerás se não ouvir

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Já nos dirigimos ao ponto médio da linha temporal que compreende nosso ano de 2015 e o mundo musical se mostrou efusivamente ativo até agora. Muitas decepções (como os fracos álbuns do Faith No More, Alabama Shakes e Blur), muitas confirmações (como nos lançamentos de nomes como Eclipse, Black Star Riders, Father John Misty, Blackberry Smoke, além de Noel Gallagher e seu High Flying Birds), alguns renascimentos (vide os ótimos álbuns de Nightwish, Angra e Colin Hay) e grandes nomes que não perderam a mão (como nos fenomenais álbuns de Scorpions, Paradise Lost, Marilyn Manson, Toto, Europe e Neal Morse) formataram o que de melhor ocorreu no mundo musica até agora, para este que vos escreve. Ainda existem as grandes esperanças para os já anunciados lançamentos de Slayer e Iron Maiden, todavia, Bob Dylan e Diana Krall ainda nos presentearam com dois álbuns corajosos, contendo releituras de canções fora de suas zonas de conforto, cujo resultado final é magistral. Dois álbuns que estarão, sem pestanejar, na minha lista de melhores álbuns de 2015. Entretanto, em meio ao oceano de lançamentos musicais que nos afoga, fica difícil dar atenção a todos os que gostaríamos e muita coisa passa despercebida aos nossos ouvidos que podem ser privados de belas canções pela simples falta de tempo. Pois bem, hoje trago mais uma lista de dicas de bons álbuns de 2015, que podem ter sido deixados de lado por você, mas que o farão se arrepender de não ter dado ouvidos a eles antes. 

1º. Kegan DeBoheme, Songs of Woe 

Eis um nome que figura dentre meus cinco artistas musicais prediletos na atualidade, Kegan DeBoheme. Este australiano tem o poder de mesclar eras do rock tão distintas de modo tão homogêneo e conciso que chega a causar espanto. Já na faixa-título, também canção de abertura deste magnífico álbum, viajamos numa típica roadie song, com solo de blues e ecos do rock melancólico da era alternativa noventista. Mas as engrenagens estão muito bem interligadas e azeitadas, sendo notória a evolução do álbum anterior Wildflowers Wither para este. As vocalizações de Gone Tomorrow são sensacionais e a primeira impressão ao início desta canção (e que se alongará por outros momentos do álbum) é que Kegan bebeu um pouco mais na fonte do Pearl Jam desta vez, adoçando esta influência com seus já habituais elementos harmônicos escuros das décadas de 60 e 70. Outro detalhe que saltará aos ouvidos daqueles que já tomaram contato com as canções de Kegan é a evolução nos arranjos, riffs e solos, que estão mais esmerados e lapidados, bem como suas linhas vocais bem mais seguras e indefectíveis. É impossível ouvir Operator e não ter vontade de assistir o filme Easy Rider, pois esta é uma típica canção folk estradeira, que nos lembra dos melhores dias de nomes como America, Lynyrd Skynyrd e The Byrds. Os dois álbuns preciosos deste artista podem ser ouvidos em seu site, acessando aqui. Podem contar com esta peça dentre os que estarão na minha lista de melhores do ano.

2º. José González, Vestiges & Claws

Sabe aquelas manhãs frias de domingo, onde você gostaria de uma música calma para preparar seu café, de preferência composições ao violão e entoadas por um fiapo de voz aveludado? Este é o álbum indicado para tal momento. O sueco (?) José González imprimiu toda a sua escola musical neste conjunto delicado de canções, que transita entre o folk de nomes como Leonard Cohen e Nick Drake, à latinidade de Silvio Rodriguez, perpassando pelo indie folk muito em voga na atualidade musical. Esta proximidade com a cultura latina é herança de seus pais argentinos que se mudaram para a Suécia no fim da década de 1970. Canções como With the Ink Of A Ghost, Stories We Build, Stories We Tell e a singela Open Book nos dão mostras da capacidade como compositor de González em seu instrumento. Um álbum singelamente belo que já tem lugar cativo na minha coleção pessoal e na minha lista de melhores álbuns do ano. 

3° Killer Boogie, Detroit

Está eleito! Este é o álbum tem a pior capa de 2015 (afinal um crânio de fumante com pano de fundo vermelho e amarelo não bem uma obra de arte). Talvez este seja um fator para te fazer desistir de ouvi-lo, deixar sua audição para depois, mas quando o fizer irá se arrepender da procrastinação musical. É impossível não pensar em um cruzamento entre Stooges, Black Sabbath, MC5 e Ramones quando o play começa a rolar. Mas não pense que estes italianos propõem apenas mais uma banda a mimetizar os trejeitos do mundo do stoner rock/metal. Apesar do rótulo cair muito bem para eles, a sonoridade vai um pouco além, imprimindo um mais de velocidade punk e menos psicodelia. Entretanto, não se engane, as doses homeopáticas deste ingrediente estão lá, permeado o energético instrumental. Os traços de Black Sabbath estão aqui, os riffs precisos e fortes acolá, além do baixo pulsante e da bateria demolidora. Dentre as canções se destacam Bad Rebel (algo que o Ramones teria composto naquele histórico estúdio encrustado no deserto americano), My Queen, Silver Universe (a Solitude do Killer Boogie) e The Golden Age. Um álbum para se ouvir entre amigos que usam all star e jeans rasgado, de preferência, em um encontro regado com muita cerveja. 

 

4º Thunder, Wonder Days. 

Uma aula de bom gosto musical. Nestas canções, os veteranos do Thunder nos mostram que a experiência faz toda a diferença quando o assunto é classic rock. Quando a faixa título reverbera nos alto-falantes somos teletransportados à época em que o hard rock “classudo” tinha em sua fórmula riffs elegantes, vocais cintilantes, base onipresente, backing vocals límpidos e composições instigantes. De imediato nos vêm à mente os melhores dias de bandas como Bad Company e Whitesnake e devemos elevar nossas mãos ao alto e agradecer o privilégio de ouvir uma peça que prima pela boa música, como só a classe e a hereditariedade roqueira inglesa podem produzir. Passar incólume ao ritmo contagiante The Thing I Want é missão impossível, tendo ela tirado a poeira da cartilha do rock n’ roll que anda tão abandonada nestes tempos modernos. A pseudo-balada com acento folk rock está presente em The Rain, assim como Serpentine vem representar brilhantemente o espírito blues-rock. Broken é a balada emocionante que todo bom álbum de rock clássico deve ter. Este é o décimo álbum de estúdio do quarteto londrino que iniciou suas atividades nos acordes finais da década de 1980 e que, neste conjunto de canções, apresenta o (até o momento ganhando do precioso álbum de Gavin Harrison por “saldo de gols”) melhor álbum de 2015 para mim, simples assim!

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