5 Amostras de que o Rock Nacional não Morreu

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Por:Marcelo Lopes Vieira

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Para muitos desta nova geração, o rock nacional agonizava após a fim do Los Hermanos e “bateu as botas” com a morte de Chorão e seu Charlie Brown Jr. Para outros, um pouco mais velhos, ou ditos mais “entendidos”, o rock brasileiro nasceu nos anos 80, se encontrando hoje morto e enterrado. Pois bem, vamos tentar mostrar que um dos lados da história está errado em ambos os casos, pois no que se refere ao princípio do rock nacional é ponto pacífico que as duas formas de pensamento estão erradas! O rock brasileiro experimentou uma das suas melhores fases, quiçá a melhor, entre os anos de 1966 até 1982, onde tivemos a maior variedade de estilos desenvolvidos e uma incomparável qualidade musical nos discos que saíam. Para os que ainda semeiam alguma dúvida quanto a esta era dourada do rock nacional, sintam-se convidados a ler as duas partes de um texto meu aqui e aqui. Isso posto, vamos ao outro lado da moeda: o rock nacional não morreu, só se relegou a ambientes mais segmentados. O fã de música que depender do rádio ou da televisão para expandir seus horizontes culturais está destinado a bradar aos quatro ventos que a qualidade musical acabou. Falando principalmente de rock, o estilo atingiu o patamar de outros, como o jazz e o blues, que são proclamados finados, mas cuja cena é riquíssima em novos nomes, acessíveis aos que pesquisam por estes nichos. Esta é a palavra: pesquisa. Numa era onde a informação está em todos os lugares, nada mais é inatingível e no âmbito musical, poucas são as raridades para os que não se importam com o material físico (CD, LP, etc. ). O rock nacional sério vivencia esta condição, pois foi limado das rádios (até mesmo das especializadas) e as bandas que chegam a ser transmitidas pelas suas ondas são paródias de si próprias como O Rappa, Titãs e Capital Inicial. Neste texto, quero apresentar cinco bandas como amostras de que o bom rock nacional não morreu, mas está mais vivo do que nunca. Além das bandas abaixo relacionadas, não deixe conferir nomes como Far From Alaska, o sensacional grupo psicodélico Anjo Gabriel, os veteranos do Autoramas, o Subtropicais, Vento Motivo (banda com integrantes renomados no rock nacional), Confraria da Costa, Hillbilly Hawhide e fuja de arremedos como O Terno e afins.

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5 bandas nacionais: Necro, ruido/mm, Plástico Lunar, Cracker Blues e Bombay Groovy.

 

1) Plástico Lunar: Oriundos do estado de Sergipe, este quinteto mostra muita originalidade já no nome e um estilo musical livre de rótulos e tendências. Músicos acima da média apresentam canções bem trabalhadas e com forte acento psicodélico, como se estivessem perdidos em algum momento da década de 70. Todavia, não se engane e desacredite no som da banda taxando-o de datado. Muito pelo contrário, o Plástico Lunar investe em sonoridades psicodélicas, lisérgicas e vintages, mas bem emolduradas por elementos modernos e temperos jazzísticos. A faixa Moderna, que abre o álbum Coleção de Viagens Espaciais, é uma perfeita mostra desta minha tentativa de descrever o amálgama musical sensacionalmente peculiar que este grupo sergipano pratica, ainda evidenciando todo o esmero nas letras das canções. Não deixe conferir peças como Quarto Azul, Tudo do Seu Jeito (com ecos da fase dourada de Rita Lee) e Boca Aberta. Para os que não conhecem a banda segue o vídeo para a faixa Formato Cereja.

Plástico Lunar: Formato Cereja

2) Bombay Groovy: A palavra vanguarda cai como uma luva para esta banda que apresenta uma proposta destemida e quase inédita no rock nacional, pois poucos foram os artistas tupiniquins que investiram em uma sonoridade tão exótica.  Esta banda paulista adicionou à formação básica de uma banda de rock um sitarista, homogeneizando elementos de nomes como Pink Floyd, Led Zeppelin, Ravi Shankar e Violeta de Outono. Como já havia escrito antes neste mesmo espaço: uma bela novidade nacional que foge da vanguarda musical dos “descoladinhos” brasileiros que aparecem no canal Bis. Se não conhece esta preciosidade, procure canções como Confounded Bridge, Gypsy Dancer, Tala Motown e Aurora para entender  a razão desta ser uma das melhores bandas do rock nacional da atualidade.

Bombay Groovy: Aurora

3) Necro: Apesar de não apresentar novidades em suas canções, este power trio de Maceió mostra que nem só de psicodelia vive o rock nacional atual. Investindo um uma sonoridade mais voltada ao heavy rock de nomes como Uriah Heep, Blue Cheer e, principalmente, Black Sabbath, começaram suas atividades com o nome de Necronomicon e chegaram a registrar um EP e um álbum em inglês pelo selo norte-americano Hydro-Phonic Records. Claro que as pitadas progressivas e psicodélicas estão presentes aqui e ali, em alguns arranjos de Mellotrons e Moogs, mas a palavra de ordem desta banda é peso. Eis uma banda que, com investimento de uma gravadora séria, que os dê liberdade para trabalhar em suas ideias, possui extremo potencial de brilhantismo e excelência musical.

Necro: Dark Redemptions

 

4) Cracker Blues: Talvez a mais veterana das cinco bandas elencadas neste texto, o Cracker Blues investe em uma música que mistura blues, rock n’ roll e country, envelhecida em barris de carvalho e embelezada pela mais pura malícia em suas letras. Já com dois álbuns oficiais lançados em formato físico, o destaque fica para o primeiro, Entre o México e o Inferno, que traz o sucesso cafajeste Velha Tatuagem. Para os amantes do rock n’ roll que nunca ouviram falar da banda, pense num ZZ Top, com mais malícia, backing vocals femininos e letras em português. Outro detalhe que traz um brilho diferente na música do Cracker Blues é o uso da gaita como instrumento de base nas canções. Não deixe de conferir Charles Bronson Blues, Bolero Maldito, Lágrima para Ernest Borgine, Blues do Inimigo e Oração Para Um Ordinário, além da já citada Velha Tatuagem.

Cracker Blues: Velha Tatuagem

 

5)ruído/mm: Nascido em 2003 na capital paranaense, esta banda é um dos maiores nomes do chamado post-rock nacional, com reconhecimento até mesmo no exterior. O estranho nome da banda se justifica como uma forma de quantificar o que não pode ser verbalizado, como uma unidade de medida para canções contemplativas que se originam de suas experimentações musicais. Alheia a qualquer classificação e descrição exata, a música desta banda tem ser ouvida para se compreendida e, após absorvida, contemplada como uma obra de arte. O “ruído por milimetro” vem com uma proposta instrumental interessantíssima e se pudesse indicar apenas uma canção da banda para servir de iniciação aos incautos, esta seria Requiem For Western Manga, que irá agradar os fãs de trilhas sonoras de películas produzidas por nomes como Quentin Tarantino. Uma canção brilhante…

ruído/mm: Requeim for a Western Song Manga

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