5 Discos de 2014 Que Você Precisa Ouvir

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O ano de 2014 já cruzou metade de seu caminho e os lançamentos musicais continuam a todo vapor. A esta altura dos acontecimentos, já começaram a aparecer as famosas e polêmicas listas parciais dos melhores álbuns do ano. Se no ano passado as escolhas não foram fáceis devido ao elevado número de excelentes lançamentos, este ano, até a última semana de julho, a situação não se mostra diferente e creio que até o findar dos 365 dias de 2014 a missão de escolher os 15 melhores discos do ano será uma tarefa inglória. Grandes nomes já lançaram ou anunciaram suas novas peças (como o Judas Priest, Titãs, Gilberto Gil, Jack White), até alguns álbuns perdidos estão sendo encontrados (como os de Johnny Cash e Pink Floyd) e ganharão as prateleiras ainda este ano.

Em meio a tantas novidades, um ou outro bom disco acaba passando despercebido neste mar de lançamentos musicais diários. A angústia de querer acompanhar todo o cenário musical relevante me acomete a cada nova manhã e acreditando na existência de outros tantos como eu, que se valem (além das pesquisas extensas e audições diárias religiosas na busca de novidades) de algumas dicas de outros ouvintes, preparei uma lista com cinco álbuns que podem passar em branco neste ano, mas que valem uma fatia do seu dia para serem degustados com devida acurácia.

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The New Mastersounds: Therapy

Rotular este quarteto apenas como um grupo de jazz/funk é desmerecer a grandiosidade de sua sonoridade. Com mais de uma dezena de lançamentos (entre EP’s e álbuns completos) em sua discografia, no seu novo trabalho, Theraphy, estes ingleses desfilam todas as suas influências de Funkadelic, Herbie Hancock, The Meters e baluartes do funk, apimentadas com o melhor do jazz fusion, formando um amálgama sonoro de qualidade irretocável, extrema originalidade apesar da influência nítida, nos brindando com músicas sem par nos dias atuais. Dentre os destaques temos a quase pop I Want To Stay que conta com a participação de Kim Dawson nos vocais, a arrasa quarteirão Old Man Noises, o groove contagiante de Morning Fly, Monday Meters é referência clara e Slow Down, que remete ao que de melhor o funk produziu, ainda vem adornada com um sax insinuante a cargo de Ryan Zoidis. Não esqueça de tirar os moveis de perto, pois o esqueleto não ficará inerte ao som que sairá dos falantes.

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Johnny Hollow: A Collection of Creatures

Um álbum perfeito para quem acredita que a música eletrônica esta relegada a DJ’s que ficam apenas fingindo mixar canções para uma plateia recheada de doces. Aqui temos uma experiência musical densa, bela e imprevisível como na belíssima canção Little Bit Closer, que traz batidas eletrônicas, arranjos de piano e cordas, além da voz angelical em clima gótico/melancólico. O grupo canadense apresenta um álbum irretocável, de extrema sensibilidade e bom gosto que não vemos na cena eletrônica que atinge o mainstream dos que se proclamam descolados. Ao fim da audição temos a impressão de que viajamos por uma coletânea de contos de contornos dark e personagens surreais. Não deixe este álbum passar em branco, principalmente se tens preconceito para com a música eletrônica.

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 H.E.A.T.: Tearing Down The Walls

Se Jon Bon Jovi não houvesse virado uma caricatura de si mesmo na tentativa de se tornar uma versão de Bruce Springsteen, sua banda estaria compondo algo nos moldes deste maravilhoso álbum. Entretanto, os fãs do hard rock apresentado nos anos 80, conhecido pejorativamente como “metal farofa”, se valem hoje das fantásticas bandas escandinavas para suprir sua sede por guitarras melodiosas, refrãos fortes, baladas destruidoras, roupas espalhafatosas e tudo o mais que fazia o rock ser divertido. Dentre estas bandas, temos no topo o H.E.A.T. que chega em 2014 chutando a porta de entrada com um fenomenal álbum denominado Tearing Down The Walls, cuja faixa título seria um hit radiofônico se não vivêssemos em uma era tão negra para o rock n’ roll. Não deixe que o preconceito seja maior que a necessidade de se divertir ouvindo um álbum que te faça cantar junto ao refrão já na primeira audição. Destaques? Todas as músicas, mas A Shot Of Redemption, Inferno, Enemy In Me e We Will Never Die são pérolas que se lançadas nos anos 80 fariam desta banda uma das maiores da época. A banda ainda tira um sarro de quem os acusa de ser muito pop no riff de Mannequin Show. Na humilde opinião deste que vos escreve, o melhor do ano até agora!

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 Black Magic: Wizard’s Spell

Mais uma banda para os saudosos dos anos 80, mas agora para os adeptos das artes negras do Heavy Metal. Como o nome do álbum e sua estampa sugerem, aqui temos uma ode ao estilo praticado nos porões escuros do heavy metal, quando este ainda não era subdividido em incompreensíveis nomenclaturas e tudo que era mais pesado era apenas speed metal. As faixas aqui apresentadas transpiram melodias de Slayer, Metallica, Iron Maiden dos dois primeiros álbuns, Bathory, Venom e Celtic Frost. Não espere originalidade, mas espere um álbum de heavy metal autêntico, como há muito tempo não se ouvia. Não existem fotos dos integrantes no encarte que embala o conjunto de faixas instrumentais misturadas a outras com vocais que parecem saídos de uma gélida caverna. Ao que tudo indica, os membros da banda eram  ex-membros do Deathhammer que se juntaram ao multi-instrumentista denominado apenas como Jon e que, antes do lançamento teriam debandado, sobrando apenas a dupla norueguesa formada por Jon e o baterista Sadomancer.

Na verdade, se me dissessem que este é um álbum perdido da década de oitenta eu acreditaria piamente, tamanha a eficiência na recriação do clima tosco das gravações dos primórdios das vertentes mais pesadas do estilo. É impossível não se emocionar com Black Magic, Rite Of The Wizard, Death Militia Possessed e Night of Mayhem.

 

Preservation Hall Jazz Band

Preservation Hall Jazz Band: That’s It

Esta lendária banda existe desde os anos sessenta levantando a bandeira do tradicional jazz americano de New Orleans. Apesar de décadas de história, inúmeros álbuns lançados, mais um sem número de integrantes que compuseram as diferentes formações da banda, este é o primeiro álbum de canções autorais do conjunto. Podemos dizer que a prática levou à perfeição, pois as músicas aqui apresentadas desfilam o fino do jazz tradicional, ficando claro que os músicos entendem do riscado. O ano de 2014 marca o 50º aniversário do conjunto e os amantes do jazz irão se deliciar com canções como August Nights, Rattlin’ Bones, Come With Me, I Think I Love You (estas duas últimas contando com o clarinesta Charlie Gabriel, um octogenário que já passou por quatro gerações na banda) e a faixa-título que se destaca de modo mais brilhante. Não deixe de ouvir esta aula de história musical.   

É claro que ainda existem muitas obras de destaque neste ano que merecem ser lembradas e assim o farei até o apagar das luzes de 2014. Por ora, estes cinco álbuns listados estão, até o momento, presentes na minha lista de melhores do ano com toda a certeza e têm sido pouco lembrados nas listas parciais publicadas nas diversas mídias.

Além destes, não deixe de conferir os grandes lançamentos de nomes como Wild Moccasins (que fizeram um ótimo revival da sonoridade pop dos anos 80 com seu lançamento 88-92), Togheter Pangea (que traz uma sonoridade furiosa em Badillac, agradando em cheio os fãs de um punk travestido de muitos riffs de guitarra e músicas pseudo-raivosas) e o absurdamente fenomenal lançamento de Sharon Jones.

Ainda é possível citar o álbum de Tommy Castro And The Painkillers (com seu rock clássico altamente inspirado e embebido no mais puro balde de blues misturado com Jack Daniel’s, apresentado em The Devil You Know), a aula de rock n’ roll praticada por Roger Daltrey e Wilko Johnson (guitarrista da banda Dr Feelgood e diagnosticado com câncer no pâncreas pouco antes de gravar este magnifico álbum) em Going Back Home e o álbum de covers inusitados do Les Claypool’s Due De Tang (já pensou em ouvir Man In The Box com a harmonia de (Ghots)Riders In The Sky?), grupo capitaneado pelo líder do Primus que se torna um dos álbuns mais interessantes do ano. Já são muitos os destaques e poucos itens do extenso enumerado foram citados, o que nos faz ter em mente que outras listas se fazem necessárias até o fechamento da eleição dos melhores discos do ano. O páreo está disputadíssimo, mas ainda entrarão em cena alguns campeões que buscarão as primeiras posições.  

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