A psicologia de Jung no filme Persona de Ingmar Bergman

Persona2

Um poema visual marcado pelo existencialismo e que  mostra os limites da personalidade numa metáfora sobre cinema, teatro e máscara.

O termo Persona vem do Latim e significa a máscara, uma referência às máscaras usadas pelos atores no teatro grego nas tragédias clássicas. Em Persona Bergman trabalha diversos  conceitos da psicologia de Jung, como persona e sombra.

destaue

Jung diz que a persona é a forma pela qual nos apresentamos ao mundo. É o caráter que assumimos, durante toda a nossa vida usamos as máscaras em vários papéis sociais e como formas de expressão pessoal. É através dela que nós nos relacionamos com os outros. Desempenhando papéis diferentes no trabalho, na família, com os amigos, nos relacionamentos afetivos e em diversas situações sociais.

Para Jung, um indivíduo em desequilíbrio não seria capaz de conviver  emocionalmente com muitas máscaras. No filme há um jogo de mascaras e personalidade, uma atriz interpretada pela bela Liv Ullmann sofre um colapso mental e é internada sobre os cuidados da enfermeira Alma (Bibi Andersson) contratada para cuidar dela. A dupla se isola numa ilha. Aos poucos a convivência traz a tona suas personalidades e o conflito entre elas.

persona_1

Elisabeth, a atriz parece viver com sua persona de isolamento, sem comunicação, enquanto Alma, a enfermeira demonstra a persona do convívio social. Na cena poética  em que aparecem as duas frente a frente, Alma, através de sua linguagem se desagrega de sua persona,projetando-se na persona da outra.

As palavras param de existir e a agressividade de Alma atinge um nível tal que ela não utiliza mais as palavras. Elizabeth, que passa a ser a enfermeira, troca de papel com Alma. Numa luta de personalidades, ambas tentam entender seu novo papel. Elizabeth não tem o texto completo de seu papel e fica buscando palavras para se expressar como sua nova persona. Mas, como todo ator, ela se alimenta de seu personagem, como um vampiro, um parasita, no filme explicitado pela cena em que chupa o sangue de Alma.

A inversão de papéis é o que Jung diz ao tratar da sombra no plano do inconsciente. Constitui-se ao material rejeitado pela persona do indivíduo como desejos, tendências, memórias ou experiências. Quanto mais forte a persona maior o repúdio a estes materiais e mais explicita torna-se a sua sombra. A personagem Elisabeth Vogler é a representação do desequilíbrio esfacelado em várias personalidades: a atriz, a mulher frágil, a neurótica, a paciente, a observante.

A própria profissão exige que ela incorpore vários personagens e personalidades. A Persona é também um instrumento para a comunicação e é através  dessa relação do eu com outro que as duas personagens se comunicam no filme. Aos poucos suas personalidades se mesclam ao ponto de não identificar-se mais quem é a enfermeira e quem é a paciente. Bergman mostra profundamente os mistérios da personalidade e suas mil facetas. Ele vai fundo no subconsciente do espectador com roteiro denso e imagens extremamente simbólicas e perturbadoras.

Persona é um filme como todo filme de Ingman Berman:sempre é uma experiência angustiante e profunda. O que somos? E o que o outro é? O cineasta sueco fez de Persona um jogo de imagens com réquiem filosófico de fundo extremamente psicológico,existencial e poético.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Protected by WP Anti Spam