A urgência e sensibilidade Hal Ashby

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Hal Ashby foi um diretor de uma sensibilidade única. Ele tinha uma capacidade de dosar, como poucos, humor transgressor (as vezes até ácido) com cenas sensíveis e emocionais. Infelizmente Ashby teve uma carreira breve como diretor, mas mesmo assim ele deixou um legado espetacular que merece ser sempre revisitado.

Ashby começou a sua carreira no cinema como montador nessa função ele colaborou durante anos com o diretor Norman Jewison. Dessa parceria pode se destacar o multi-premiado filme “No calor da noite”.

Como cineasta Ashby estreou na década de 70, são desta época os seus filmes mais famosos como: ” Ensina-me a viver”, ” Shampoo”, “Amargo regresso” e “Muito além do jardim”. Muito da sua vida e sua importância como realizador pode ser visto no ótimo livro “Como geração sexo, drogas e rock n’roll salvou Hollywood” do autor Peter Biskind e em outras publicações especificas.

Ele morreu vitimado por um câncer no fígado aos 59 anos e ganhou um Oscar em 1978 por “Amargo regresso”. Enfim Ashby é de longe um dos maiores cineastas de sua época e de todos tempos. Ashby tinha como estilo uma edição enxuta, trilha sonora muitas vezes pop (rock n’roll e folk), uma ótima direção de atores e uma direção técnica contida e inteligente. Ele construiu no minimo 3 obras primas todas ao mesmo tempo urgentes e emocionantes na medida certa.

3 obras primas de Ashby

Muito além do jardim

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A realização desse filme era o sonho da vida do ator e comediante Peter Sellers (renomado principalmente pelo seus papeis na série cinematográfica “Pantera cor de rosa” e em algumas colaborações geniais com Stanley Kubrick). Ele via nessa adaptação literária a chance de mostrar o seu talento como ator sério. O filme acabou sendo dirigido por Ashby que já vinha sendo considerado um mestre em adaptar obras inadaptáveis e em fazer filmes que dosam comédia e drama de forma bem equilibrada. O filme conta a história de um jardineiro extremamente inocente que nunca havia saído da casa onde cuidava do jardim e de repente tem que encarar o mundo. A partir dessa história temos um filme inteligente, engraçado e sensível que discute de forma delicada os costumes e problemas da sociedade moderna. Uma obra prima, talvez o melhor trabalho do diretor.

Ensina-me viver

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O filme é a história de um jovem melancólico com tendencias suicidas que conhece uma senhora cheia de vida e transgressora, que como ele gosta de frequentar funerais. Mesmo com essa sinopse complexa, difícil e até mesmo estranha Ashby conseguiu tirar dessa história um filme cheio de vida e engraçado que ao mesmo tempo chocou e encantou toda uma geração. Usando seu ótimo elenco, direção e edição eficiente e uma trilha sonora folk de primeira qualidade do compositor Cat Stevens. Ashby criou essa pequena perola do cinema indie.

Amargo Regresso

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Esse é o filme mais aclamado do cineasta. De novo aqui temos os elementos que tornaram Ashby no grande cineasta reconhecido do publico: trilha sonora pop e bastante emocional incluindo aqui Beatles, Rolling Stones e Simon and Garfunkel; uma dose de humor que aqui é mais sutil; um tema duro e complexo (aqui a guerra do Vietnã e as condições dos hospitais para os ex-soldados); e drama humanista tratado com muito cuidado e sutileza. Enfim um grande filme com atuações magistrais principalmente de Jon Voight e Jane Fonda.

Vale a pena aqui destacar também “Shampoo” que foi um filme de grande sucesso na época e a ótima comédia “A ultima Missão” que assim como os outros trabalhos do cineasta trás temas relevantes sendo tratados de forma natural e sem papas na língua.

Se você ainda não viu nenhum filme do Hal Ashby é melhor correr por que está perdendo a chance de conhecer um dos cineastas mais interessantes de seu tempo.

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