Até que a Sbórnia nos separe

sbornia
sbornia

“Até que sbórnia nos separe” é um filme incomum dentro do cinema nacional, primeiro por se tratar de animação e segundo pela sua proposta visual (e narrativa) arrojada. O longa é baseado no homônomo espetáculo musical “Tangos e Tragédias”, que ficou 30 anos em cartaz no Rio Grande do Sul. O musical fez tanto sucesso, e ficou tanto tempo em cartaz, que se tornou uma parte inseparável da história cultural do estado.

15456371

O filme é uma uma espécie de prólogo/homenagem do espetáculo. Na história, Kraunus e Plestkaya, são dois músicos que vivem num pequeno país fictício chamado Sbórnia, que por sua vez fica ligado ao continente por um “istmo” (um minusculo traço de terra). No longa seguimos a história desses personagens ao mesmo tempo que conhecemos os costumes e peculiaridades desse estranho país chamado Sbórnia.

at___que_a_sb__rnia_nos_separe_01-456276

Animação tem um humor muito afiado, provavelmente herdado da peça. Muito do humor e gags visuais do filme estão relacionadas as brincadeiras, e estranhezas, dos costumes locais da Sbórnia: futebol com machados, danças incomuns, o jeito de dormir estranho, nas tradições como cuspir nas crianças ou lamber o rosto das mulheres no ato de se cumprimentar e etc.

Sem mais delongas, o filme tem um humor fácil, personagens legais, uma animação tecnicamente impecavelmente, além de uma edição som primorosa. O roteiro muitas vezes abusa dos clichês do gênero, clichês esses muito bem empregados diga de passagem, mas a principal qualidade do roteiro está na originalidade do universo proposto e na esperteza da animação em usar esse mundo fictício para levantar questões interessantes como: a importância das tradições, industrialização e questões ambientais. A direção é do veterano Otto Guerra (Wood e Stock – Sexo, orégano e rock’n roll) e Ennio Torresan Jr (que trabalha na Dream Works), que fazem um trabalho lindo e apaixonado, afinal são anos de dedicação para chegar um resultado como esse.

Enfim, o resultado é muito positivo. Ao meu ver o filme só tem um ponto fraco: o terceiro ato, pois apesar de empolgante, o clímax é um pouco confuso. Mas enfim, “Até que Sbórnia nos separe” é um excelente filme, recomendo a todos. Se tiver oportunidade, assista!

obs: Nico Nicolaiewsky, um dos criadores da peça “Tango e Tragedias”, infelizmente veio falecer em fevereiro de 2014. Logo o filme acabou se tornou uma especie, de linda e tocante, homenagem póstuma a esse grande músico e artística.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Protected by WP Anti Spam