Caetano Veloso – Completo e comentado

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Segue uma lista, na verdade uma analise, da carreira do mestre Caetano Veloso passando por todos seus discos, desde o primeiro “Domingo” de 1967 até o ultimo (até então) “Abraçaço” de 2012. Na lista a seguir separei a obra de Caetano em categorias que vão: dos que mais me agradam (além da importância histórica e artísticas desses discos): “os essenciais”; até os que não me agradam tanto, embora ainda tenha certas qualidades artísticas, “os medianos”;

É fácil de notar nessa lista o quanto Caetano é eclético e inquieto como artista sempre navegando entre diferentes gêneros, estilos, formas e etc.

Caetano: Essencial

Caetano Veloso – Domingo (1967)

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Domingo é o primeiro álbum de Caetano Veloso e Gal Costa. O disco foi lançado em 1967 pela gravadora Philips e conta com a produção Dori Caymmi. O álbum tem uma sonoridade calcada na bossa nova, samba e MPB. Enfim um disco com uma sonoridade suave e muito bem executado, com certeza um dos melhores do gênero produzido até hoje no Brasil. Nesse disco já se encontra o primeiro grande sucesso de Caetano Veloso a belíssima música: “Coração Vagabundo”.

Caetano Veloso – Caetano Veloso (1968)

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Esse segundo álbum de Caetano é um dos responsáveis pelo surgimento do movimento Tropicalista. O disco trás um carnaval de cores e sons como nunca visto antes. Uma obra com uma importância histórica inquestionável e de uma qualidade musical impar.

Bem vindo a Tropicalia: sons estridentes (guitarras, distorções, experimentações psicodélicas, microfonias e etc) andando lado a lado com sonoridades bem brasileiras; Letras inspiradas: cheias de cultura pop, energia, poesia e inquietações políticas. Enfim Tudo isso junto batido no mesmo liquidificador. O resultado é um dos melhores álbuns da história musical brasileira.

O disco contém pelo menos três das músicas mais importantes do movimento Tropicalista no Brasil: “Alegria Alegria”, “Superbacana” e “Tropicália”.

Caetano Veloso – Caetano Veloso (1969)

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O disco foi feito logo após a prisão de Caetano Veloso e Gilberto Gil, ambos estavam sofrendo pressões do governo ditatorial Brasileiro e ficaram impedidos de deixar Salvador nessa época. Esse disco mostra terceira mudança musical de Caetano, que havia saído do samba e bossa nova do disco “Domingo”, passado pelo movimento tropicalista nos álbuns anteriores e agora nesse disco ele passeia pelo rock’n roll, samba (e outras experiências bem brasileiras), folk (inclui-se aqui muitas músicas em inglês) e etc.

O disco é uma obra de transição entre o Caetano do clássico álbum de 1968 e o Caetano que criaria talvez sua obra prima “Transa” em 1972. O disco tem músicas brilhantes como: “Irene”, “Lost in the paradise”, “The Empty Boat”, “Marinheiro só”, “Não identificada” e “Alfômega”.

Caetano Veloso – Transa (1972)

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Para muitos essa é maior obra de Caetano Veloso, um disco gravado no período em que Caetano estava em exílio em Londres. O clima soturno e melancólico do disco reflete de forma muito clara o inconformismo de Caetano com aquela situação. A sonoridade rock’n roll e as letras inglês da maioria das músicas traduzem de forma única os sentimentos e o momento particular vivido pelo músico naquele período.

Enfim um disco brilhante em todos os sentidos possíveis com uma sonoridade mais uniforme e coesa do que das obras anteriores, cheio de referencias e brincadeiras musicais deliciosas (a letras mudam de inglês para português sem aviso prévio; as música saem do blues, folk, rock para sons brasileiros sem qualquer concessão). Para muitos essa é maior obra de Caetano, eu sou definitivamente um desses muitos.

Caetano Veloso – Jóia (1975)

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O álbum seguinte de Caetano já trás uma nova mudança musical, trazendo um músico mais próximo do que estamos acostumado. Jóia é um disco com sonoridade suave e cristalina, quase hippie (até na sua proposta visual), com clima de MPB, folk e experimental. Executado de forma brilhante, cheio de arranjos de cordas e nuances musicais que enriquecem o clima de comunhão com natureza e com mundo.
Um disco incrível com letras poéticas, com um ritmo e clima todo particular. Uma obra diferenciada de quase tudo que foi feito até hoje no Brasil.

Caetano Veloso – Muito (Dentro Da Estrela Azulada) (1978)

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Na época “Muito” foi ignorado pela crítica, mas esse disco é de longe um dos melhores álbuns de Caetano. Com canções intricadas, sonoridades aparentemente simples, mas de uma inteligência e sofisticação incrível. A particularidade das letras pode ter afastado um pouco o publico, a roupagem aparentemente tradicional demais pode ter desanimado os críticos, mas disco é uma obra única. Na minha opinião um dos mais belos álbuns de Caetano e que marca outra mudança na carreira dele. “Muito” é um disco sem amarras e sem compromisso com nenhum movimento ou experimentação artística, música de qualidade e pronto. Passando por samba, MPB, reflexos de João Gilberto, Jorge Ben e muito mais.

Caetano Veloso – Brasil (1981)

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Um álbum tradicional, MPB, samba e bossa nova. Mas feito em conjunto com o mestre João Gilberto e com participações ótimas de Gilberto Gil e Bethânia. Enfim não há muito que falar um disco realizado com um cuidado e qualidade inquestionável. Um álbum delicioso e que faz muito bem aos ouvidos e coração.

Caetano Veloso – Cê (2006)

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Em 2009 numa entrevista Caetano declarou que queria fazer um disco de rock mas sem usar seu nome e depois em seguida fazer um disco de samba. Mas ele acabou não fazendo nem um dos dois, mas sim uma mistura. E daí nasceu um dos seus melhores discos da sua carreira com letras extremamente pessoais sobre o posicionamento de Caetano em relação ao mundo, cheio de sentimentos bem particulares (desilusões, raiva, amor e sexualidade) tudo feito de forma estridente (guitarras raivosas dividem espaço, com harmonias suaves com pé no samba) e com uma honestidade incomum não só para música nacional como mundial.

O disco tem letras incríveis como: a cheia de um humor intimista e inteligência “Homem”; as raivosas e cheias de desilusão “Rocks” e “Outro”; passando pela obra prima do disco a linda “Não me arrependo”.

Caetano Veloso – Abraçaço (2012)

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“Abraçaço” é o 49° disco da carreira de Caetano, que agora com 70 anos de idade encerra sua trilogia rock’n roll a lado da banda “Cê” (trilogia iniciada no disco de mesmo nome). Com esse ultimo registro ele aprimora tudo que foi experimentado desde começo da trilogia de álbuns. E cria uma obra com letras tão particulares quanto as anteriores, só que agora ainda mais embebidas na cultura pop (como na música de abertura do disco “Bossa nova é foda”). Tudo feito com inteligência e harmonia criando um universo musical todo particular: trazendo letras inteligentes (difíceis a primeira audição, mas ainda sim excelentes), guitarras criativas (como se agora tivessem mais acostumadas ao ritmo do artista, mas que ainda sim soam estridente e raivosas nos momentos certos), porradas de bateria, sons intangíveis (microfonias e experimentações musicais) e etc. Rock’n roll de Caetano fecha o ciclo, agora é esperar qual seu próximo passo.

Caetano Veloso: Ótimos

Caetano Veloso – Zii e zie (2009)

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Disco do meio da Trilogia “Cê” é um pouco menos estridente que “Cê” e menos exato que “Abraçaço”. É na verdade meio termo entre os dois álbuns, mas ainda sim é um disco com ótimas letras e sonoridades incríveis. Mesmo não sendo uma obra prima é o bastante para ser um dos melhores lançamentos daquele ano.

Caetano Veloso – Veloso, Gil e Bethania (1968) / Caetano Veloso Tropicália Ou Panis Et Circensis (1968)

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Tropicália Ou Panis Et Circensis não está entre os primeiros da lista por ser um álbum em conjunto e não um álbum solo propriamente dito de Caetano. Mesmo motivo que não puis no top esse “Veloso, Gil e Bethania” que é um belo disco samba, MPB e afins.

Caetano Veloso – Caetano Veloso (1971)

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Disco traz uma sonoridade próxima do disco “Transa” com pé no folk, rock’n roll e letras em inglês. É um grande disco com canções incríveis e muito bem executadas.

Caetano Veloso – Caetano… Muitos Carnavais (1977)

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Disco com som todo para cima e em ritmo de carnaval. É uma das muitas transições musicais de Caetano. Um álbum de marchinhas, colorido e bem diferente de tudo que Caetano já havia experimentado até ali.

Caetano Veloso – Cinema Transcendental (1979)

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Um disco já começa a carregar um pouco do som característico dos anos 80, mas ainda mantém o ritmo zen com pé no MPB. Ultimo grande disco de Caetano antes do período pouco inspirado da década seguinte.

Caetano Veloso – Estrangeiro (1989)

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Marca a volta de Caetano e fim de uma década mediana na carreira do músico. O disco sem grandes experimentações, mas com ótimas letras e uma leveda MPB deliciosa.

Caetano Veloso – Circuladô (1991)

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Caetano em 1991 veio com “Circuladô” um disco com clima pop, mas trazendo de volta sua veia mais experimental tanto nos arranjos musicais quanto nas letras. Um disco mais arriscado e menos calculado que os últimos feito pelo músico.

Caetano veloso – Tropicália 2 (1993)

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É um disco que celebra os 25 do clássico “Tropicalia ou Panis et Circencis”. O álbum brinca com diferentes gêneros musicais e sons como: rap, eletrônica, MPB e etc. Enfim um álbum interessante que resgata um pouco do Caetano mais engajado que víamos nos anos 60 e começo de 70.

Caetano e Jorge Mautner – Não peço desculpa (2002)

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Junto com subestimado mestre Jorge Mautner, Caetano fez esse disco meio renegado pela crítica. O álbum é audacioso, com arranjos e letras rebuscadas. Um disco bem humorado, com clima quase brega como na ótima “Todo Errado”, que brinca com eletrônica, rock, samba e o já dito brega. Um ótimo disco pouco ouvido, mas cheio de atrativos.

Caetano: Bom

Caetano Veloso – Bicho (1977)

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Disco bem comportado de Caetano e cheio de clássicos como “Leãozinho”, “Odara” e etc. Um bom disco para iniciantes em Caetano: bem pop, muito bem acabado, ótimas letras e cheio de momentos inspirados.

Caetano Veloso – Araça azul (1972)

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Esse álbum é o mais experimental do Caetano. Um bom disco, mas é necessário um pouco de paciência para as muitas experimentações sonoras do álbum.

Caetano Veloso – Qualquer Coisa (1975)

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Esse disco mostra um pouco da transição entre o “Caetano das antigas” e “Caetano como é conhecido hoje pelo grande publico: o músico certinho de MPB”. O álbum traz algumas músicas em inglês, outras no estilo MPB bem tradicional, além de algumas bastante influenciadas por Jorge Ben.

Caetano Veloso – Uns (1983)

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Com MPB certeira e swingada Caetano fez “Uns” um dos seus melhores discos nos anos 80. Nesse disco tem sucessos como “Você é linda”; sons típicos daquele período como o ska pop “Eclipse Oculto” e sons dançantes como “Salva vida” e etc.

Caetano Veloso – Caetano Veloso (1986)

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Esse disco revisita alguns dos grandes sucessos do músico. Enfim um álbum que serve para lembrar ou relembrar que Caetano é um dos grandes compositores e músicos do Brasil.

Caetano: Mediano

Caetano Veloso – Outras Palavras (1981)

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Ainda que Caetano sempre mantenha certa qualidade, o disco nem sempre a certa. Os disco tem uma sonoridade com cara dos anos 80 passeando pelo: ska e reggae, e até um pré axé, que nem sempre funciona bem dentro universo proposto por Caetano.

Caetano Veloso – Velô (1984)

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Esse talvez seja o disco mais irregular do Caetano nesse período. A letras são só ok e a musicalidade pouco original. Mas ainda da sentir alguns lampejos de criatividades no disco.

Caetano Veloso – Cores, Nomes (1982)

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“Cores, Nomes” é Caetano no modo automático: boas interpretações, violões bem executados e letras pessoais e bem feitas. Um bom disco de MPB e só.

Caetano Veloso – Caetano (1987)

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Totalmente imerso nos sons dos anos 80 Caetano ainda acerta nas letras, mas se perde na sonoridade. Um disco que envelhece mal, assim como maioria das coisas feita por Caetano naquele período.

Caetano Veloso – Fina Estampa (1994)

1994 - Fina Estampa

É disco bacana em espanhol, mas que pouco agrega na carreira do músico.

Caetano Veloso – Livro (1997)

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Não a muito o que dizer aqui, letras acima da média, musicalidade afinada e etc. Caetano sendo Caetano, mas não o Caetano experimentador e arrojado… Só o compositor e cantor popular que nossa tia adora.

Caetano Veloso – Noites Do Norte (2000)

2000 - Noites Do Norte

Apesar de Caetano tentar passear por outros gêneros (como rap e etc). Esse registro soa meio datado em diversos momentos, tanto na musicalidade quanto nas letras. Com certeza não é o melhor momento do artista.

Caetano Veloso – Onqotô (2005)

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O disco mais experimental de Caetano desde “Araçá Azul”. Um disco difícil, quase instrumental e cheio detalhes. É como se Caetano usa-se essas experimentações para “lavar alma” de seus anos bem comportados e careta.

Caetano Veloso – A Foreign Sound (2004)

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Caetano faz aqui uma releitura de clássicos da música internacional, incluindo até um “Come as you are” do Nirvana. O resultado não é tão enfadonho quando falam por aí, mas é de fato um dos momentos menos inspirados da carreira do Caetano.

Caetano Veloso e Roberto Carlos – E A Música De Tom Jobim (2008)

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O álbum de Caetano Veloso e Roberto Carlos ao vivo cantando Tom Jobim é um disco ok. Sem grandes inspirações ou atrativos. Na verdade não é o melhor momento de nenhum dos envolvidos. Um disco para dar para sua avó no dia do aniversario dela. Não é ruim, e tão pouco é algo relevante. Inofensivo e só.

Observações: Ivete, Gil e Caetano (2012) até ouvi, mas nem considerei. Não é de todo ruim, mas realmente não tem nada de novo ou interessante. E Ivete, sem preconceitos, realmente não ajuda muito (na verdade quase estraga a brincadeira);

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