Clássico: A Turba (1928)

TheCrowd2
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Todos nós nascemos destinados a coisas grandes. Pelo menos queremos acreditar nisso. No dia 4 de julho de 1900 nasceu John Sims anunciado como uma boa nova e trazendo consigo a esperança de um futuro brilhante. As primeiras palavras de seu pai ao segura-lo nos braços foram: “O mundo irá falar deste menino”. Com essa cena emblemática começa esse clássico do cinema. Deixando claro a partir daí o fascínio do personagem John Sims, desde infância, por um estilo de vida grandioso e destinado a grandes feitos. O ponto de virada dessa história, destinada a glória, acontece quando o pai de John morre e ele tem seus sonhos interrompidos. Mais velho John Sims vai para Nova York e se torna mais um na multidão vivendo de sonhos, trabalhando e vivendo de forma mecânica e automatizada. John acaba se casando com Mary com quem tem momentos felizes e faz muitos planos sempre acreditando em um futuro brilhante. A partir daí o melodrama já está com todas as suas peças posicionadas para que o diretor King Vidor construa um filme impactante, inteligente e extremamente emocional sobre a diferença “entre o sonho e a realidade”.
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Muito embora o filme use a narrativa e o esquema de melodrama a direção King Vidor da ao filme outra importância e significado. Ele usa uma direção elegante e cheia de simbolismos, para discutir temas importantes e atemporais. Por exemplo cena da morte do pai de John: John Sims está na porta de entrada do prédio onde mora, de frente para uma longa escadaria, junto de uma multidão que aglomera ali. Ele vem subindo sozinho aos poucos degraus com um olhar assustado, se destacando do restante das pessoas que ficam lá em baixo na porta, para descobrir a morte do seu pai. É cena é emblemática para o filme pois ela representa a última vez que John Sims seria tratado como diferente e que teria algum destaque meio multidão. Todas outras cenas, principalmente em uma das mais importantes do filme após uma tragédia, John Sims está sempre indo de encontro ou perdido no meio da multidão. Se tornando mais um.

É notório como filme tem um trabalho de arte impecável usando: enormes cenários para mostrar a pequenez de John diante do mundo a sua volta (vide: as centenas mesas do local de trabalho, as enormes salas do hospital onde nasce seu filho); ou no número gigantesco de figurantes que circundam John durante grande parte do filme (vide: como os colegas de serviços e as pessoas na rua que parecem formigas fazendo as mesma coisas de forma automatizada e sem vida).

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É importante ressaltar também o ritmo impecável do filme dosando cenas cômicas cheias brincadeiras visuais e cenas dramáticas bastante tocantes. O roteiro também tem seus trunfos funcionando de forma cíclica e muito bem construída. Nada está perdido ou solto no roteiro cada cena terá sua função mais a adiante e se tornará importante para jornada de John. Enfim o que fica no final é imagem de John Sims perdido meio a multidão, só mais um entre milhões tentando viver sonho americano.

Chega ser irônico pensar que essa resenha assim com o John Sims é só mais uma entre milhares e se perdera entre elas. Mas para mim já é o bastante se essa resenha fizer a diferença com uma pessoa que seja. Afinal a história de John Sims merece ser vista devido todas as suas qualidades narrativas e cinematográficas, além de sua pertinência temática sempre atual. No fim das contas o pai de John Sims não tava tão errado assim, o mundo realmente falaria sobre seu filho.

obs: O filme foi lançado em 1928 um ano antes da grande crise econômica de 1929 nos Estados Unidos um dos períodos mais negros da história América. O tornando o filme ainda mais pertinente e atual.

Dirigido por: King VidorElenco: King Vidor, John V.A. Weaver

Duração: 104 minutos

Ano: 1928

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