Classico: Sherlock Jr.

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Buster Keaton é um mestre do humor, ninguém absolutamente ninguém foi capaz que criar gags visuais como ele. Às vezes ofuscado pelo brilho do seu contemporâneo Chaplin, ambos dos meados da década de 20, que parece ter se enraizado mais forte na memória coletiva e na cultura pop. Enfim os dois tinham um estilo bem parecido de humor, hoje em dia esses estilos parecem ainda mais próximos afinal eles faziam um tipo de cinema que não existe mais. Eles dominavam de forma impar a arte a qual propunham fazer.

 

Enquanto Chaplin dosava de forma sutil e inteligente humor inocente com dramas sensíveis, tendo quase sempre como pano de fundo histórias com temáticas de grande relevância política e social. Keaton explora ao máximo as gags visuais levando a um nível absurdo e cartunesco, beirando o surreal (chaplin também brincou com isso Em busca do Ouro por exemplo, só que aqui isso é mais recorrente no cinema de Keaton).

Keaton também flertava muito com o cinema de metalinguagem (cinema dentro cinema) e com um humor mais acido (lógico se levado em conta o que era feito na época, vide o final brilhante desse Sherlock .Jr.)

 

Comparações a parte deixe decorrer um pouco sobre esse filme em questão Sherlok Jr. conta história projetista de cinema que deseja ser um detetive e coloca suas poucas habilidades em prática quando é acusado por um rival de roubar um relógio do pai de sua namorada. A partir daí surge uma subtrama levada pela metalinguagem de filme dentro do filme onde Keaton se torna Sherlok Holmes. Nesse ponto Keaton está livre para abraçar de forma única suas tiradas visuais que brincam com o próprio cinema, filmes de espionagem, montagem cinematografica e etc. Tudo levado um nível cartunesco e delicioso seja correndo em cima de um trem, fugindo de ladrões, jogando sinuca (com uma bola bomba) ou mesmo na espetacular cena de perseguição na moto. Simples na sua idéia, até ingênuo para os dias de hoje, o filme se desdobra em uma aula de cinema para quem quer mais que ver um filme ou numa deliciosa sucessão gags e tiradas inteligentes para quem quer somente se divertir.

 

Enfim uma obra única do homem que nunca ri como era chamado pelos críticos da sua época devido sua expressão sempre igual quase sem vida (talvez esteja aí uma influencia para os personagens melancólicos nas comédias do diretor Wes Anderson). O que fica no final são momentos marcantes: tirada cômica do 1 dolar no lixo, a cena da sinuca com bola explosiva, a perseguição de moto (melhor cena do filme, brilhante técnicamente) e o final que é ao mesmo tempo singelo e irônico (um dos melhores finais que já vi).

Dirigido por: Buster Keaton

Elenco: Buster Keaton, Kathryn McGuire, Joe Keaton

Duração: 45 min

Ano: 1924

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