Godzilla (2014) – Uma crítica em 5 perguntas

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Demorei muito para fazer essa crítica, mas finalmente tive um tempo e resolvi apontar e responder 5 questões que podem ajudar a você a decidir a assistir ou não o filme.

1. O filme é fiel ao original e ao personagem?

Godzilla 2014 é bem fiel ao primeiro filme de 1954, principalmente pelo tom sério e por manter o foco da narrativa nos seres humanos e não nos monstros (e esse é maior acerto do filme). Diretor inteligentemente mostra as criaturas sempre pelo olhar dos seres humanos (o que deixa ainda mais ameaçadores os monstros, quando comparado com a fragilidade humana). Com isso Gareth Edward (do espetacular filme “Monstros” de 2008) faz um cinema de antítese ao cinema descerebrado e apressado que virou moda nos dias de hoje (vide a famigerada série “Transformers”). Nesse filme como no original o clima solene reina, sempre evidenciando os efeitos da destruição e o horror causado pelas criaturas. Tudo isso é feito com o grau de realidade e peso devido para criar um clima apocalipse e impotência das pessoas diante aquelas criaturas.

Outro ponto bastante fiel ao personagem é o excelente trabalho na criação do design do Godzilla, que consegue no filme ser ao mesmo tempo uma criatura ameaçadora e capaz de causar empatia com publico.

O filme é bem fiel não só ao original, mas também aos outros da série porque aqui temos novos monstros além do Godzilla. E aqui Godzilla surge, como nos seus longas clássicos, como um salvador e ultima esperança da humanidade e não um vilão (ou como um “mega tiranossauro” que nada tinha a ver Godzilla como no filme 1998).

2. Godzilla é coadjuvante do próprio filme?

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Godzilla é coadjuvante do próprio filme? Nem pau. Ele realmente é o grande monstro e personagem do filme. E o diretor faz sua apresentação da melhor forma possível recompensando o publico aos poucos, mostrando pequenos detalhes do monstro, sem banaliza-lo e criando expectativas até sua revelação completa. As referencias a “Tuburão” e “Alien” são evidentes. Enfim sua apresentação é emblemática, se ele fosse mostrado de cara seria banalizado e não teria um terço do impacto que teve no filme. Todas suas cenas são de uma beleza quase poética, seguidas de ótimos efeitos especiais e ação muito bem conduzida (a trilha sonora é espetacular. A melhor coisa do filme.).

Cenas como a primeira vez que o Godzilla solta seu raio é de uma beleza estética delirante num belo jogo de luz, sombras e poeira. Tudo feito do jeito certo. Único problema não é fato de Godzilla surgir aos poucos, mas na falta personagens interessantes para preencher esses espaços de tempo até seu surgimento. Mas esse é o próximo tópico.

3. Como está o desenvolvimento dos personagens? E o roteiro é bom?

Os personagens humanos são importantes para trama. Assim como as ótimas atuações que dão peso e nos faz crer que estamos vendo pessoas de verdade. Bryan Cranston se entrega com vontade ao papel como poucas vezes se vê nesse tipo de longa, assim como o resto do elenco que demonstra muito profissionalismo e talento sendo capaz de manter o tom de seriedade e solenidade do filme. Mas esses mesmos personagens são o ponto fraco do filme, pois o roteiro não deixa tempo para que possamos entende-los ou senti-los. Então o que vemos são dramas que soam artificiais apesar de bem interpretados, porque não da tempo de enxergarmos aquelas pessoas como gente de verdade.

Talvez com momentos de maior respiro ou contemplação os dramas funcionassem melhor. Mas claro que também para isso precisaríamos de um roteiro menos clichê, com menos coincidências e menos soluções mágicas para que tudo funcionasse. Sem esses detalhes por melhor que sejam os atores e mais fortes que sejam os dramas tudo soa forçado e raso.

4. O filme atende as expectativas?

O filme dificilmente poderia ser melhor dentro maquina Hollywoodiana, o que estraga o filme até certo ponto são os clichês obrigatórios do gênero. Mas felizmente o filme vai além disso em muitos momentos, o que já é um grande mérito.

O problema é que o diretor infelizmente não pode repetir o clima contemplativo do seu primeiro e espetacular filme “Monstros”, devido aos milhões gastos aqui nessa produção. Mas faz o que pode dando força e focando nos seres humanos invés dos monstros (como citado antes esse é maior mérito e defeito filme). Claro que o publico afoito e apressado de hoje em dia vai sentir falta da “ação por ação (mesmo que sem sentido)”, mas não sou um deles e para mim o resultado está muito acima do esperado. Afinal Gareth Edward conseguiu dar realidade, peso e qualidade ao um filme de monstros gigantes, sem criar apenas uma aventurazinha cheia de piadas e etc. Só isso já merece meu respeito.

E claro que toda essa seriedade não quer dizer que não tenhamos aqui lutas de monstros. Na verdade temos sim e, aliás, são muito bem realizadas e empolgantes.O golpe final desferido pelo largatão no clímax é simplesmente sensacional, que chega da gosto de ser nerd e gostar desse tipo coisa.

5. Qual é veredito? É um bom filme? Ou é ruim?

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O resultado é um filme acima da média para as produções comuns desse gênero, mas que tem os mesmo erros dos outros filmes que são superproduções (problemas roteiro e personagens superficiais). Mas ainda sim esse Godzilla faz jus e respeita muito bem o icônico personagem. As cenas de ação são boas, o clima suspense é muito bem construído, as cenas destruição são de um realismo e qualidade incomum.

Além disso, o filme tem momentos com uma de beleza estética que parecem verdadeiras pinturas. Como: a já citada primeira vez que Godzilla atira seus raios, os saldados saltando de paraquedas (com aquela fumaça vermelha) na cidade em ruínas e etc. Coisas que não se vê todo dia no cinema pipoca de Hollywood. Um grande filme para um grande monstro.

http://youtu.be/I-EEqJ9HyTk

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