O cinema sem meio termos de William Friedkin

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William Friedkin nasceu na cidade de Chicago no dia 29 de agosto de 1935, ele foi um dos principais nomes da geração de cineastas da “Nova Hollywood”. Nova Hollywood foi um nome dado ao cinema feito por jovens diretores, que mudaram a regras e jeito de fazer filmes na década 70 e começo de 80. Outros cineasta dessa geração são: Steven Spierberg, Francis Coopola, Martin Scorsese, Hal Ashby e etc. Mas, William Friedkin talvez seja diretor cujo melhor representa aquele período, uma vez que seus trabalhos são extremamente realistas, fortes e sem concessões.

Seu primeiro grande trunfo como diretor foi no longa “Operação França”, um filme policial realista e cruel, que ganhou Oscar de melhor filme em 1971. Esse feito fez de Friedkin o diretor mais jovem a ganhar um Oscar, ele tinha 32 anos na época. O filme é obra de estética crua e com personagens tridimensionais, cheio defeitos e problemas. Enfim, um filmaço dirigido com elegância e energia. A cena da perseguição de carro é de arrepiar até hoje.

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Logo após o sucesso do “Operação França” veio, o excelente, “O Exorcista” que apesar de ser baseado em um livro de enorme sucesso na época, teve muitas dificuldades de virar filme. Uma vez que, por ser um filme de terror todos os grandes diretores recusaram a fazer o filme por considerar a produção como sendo de um gênero menor. Então, Friedkin vindo de filme super premiado, apesar de algumas dúvidas, se arriscou a tentar transformar um filme de terror em uma obra de arte do cinema. O resultado foi um filme de terror com personagens complexos, drama na medida certa, com uma violência física e psicológica que até hoje não foi superada no cinema. No filme Friedkin desenvolve a personalidade dos personagens (padre, a mãe e a menina) com calma e inteligencia. Isso fica evidente uma vez que só depois de meia hora de filme o diretor parte para terror de forma visual e realista. O filme foi o maior bilheteria do cinema americano até então e conseguiu várias indicações no Oscar, incluindo de melhor filme (o que era impensável para um filme de gênero tão subestimado como terror).

 

Com o ego lá nas alturas, Friedkin se arriscou em uma nova empreitada a refilmagem do clássico “O salário do medo” do diretor francês Henry-George Clouzot, de 1953. Esse foi o primeiro grande fracasso de publico e crítica (parte dela, uma vez que filme ganhou alguns prêmios importantes). Essa refilmagem intitulada “Comboio do Medo” é um filme complexo, ainda mais sujo e realista que anteriores do diretor, os personagens são extremamente antagônicos e o filme tem um nível de tensão absurdo. Minha opinião: uma obra prima e um dos melhores filmes do cineasta (hoje filme tem certo status cult, o que é muito merecido). Esse filme é genial grande parte do seu fracasso vem da mudança do pensamento do publico que já se dispersava com o inicio da cultura da TV, dos filmes de efeitos especiais e monstros (Star Wars e Tuburão). Outro problema foi a conexão com publico e o fato dos personagens serem pessoas mesquinhas de caráteres duvidosos tornou ainda mais difícil a empatia por eles.

 

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A seguir daí o diretor entrou em decadência com filmes menores e sem mesmo êxito. Vale destacar ainda dois filmes de certo nome do diretor na década de 80. “Parceiros da Noite” com Al Pacino que é um filme policial sobre submundo gay (filme sujo e cheio cenas esquisitas. Uma produção suicida afinal qual era publico do filme, mas que ainda tem suas qualidades). E Viver e Morrer L.A filme policial também violento, mas com ar um pouco mais comercial. Mas verdade é que ambos os filmes dele desse época envelheceram um pouco mal (como grande parte das coisas do anos 80) quanto trilha sonora, estilo direção e etc.

 

Nos anos 90 e começo de 2000 entre episódios de séries de TV (CSI por exemplo) e filmes estritamente comerciais, chegando a fazer filmes medianos e sem nenhuma assinatura autoral como “Caçado” e “Regras do Jogo”, se destaca somente ótima versão feita para TV de “12 homens e uma sentença”. O filme para TV talvez seja o único vestígio de brilho na filmografia do diretor em quase duas décadas. Ótimo filme que se passa em único ambiente e se usa como ferramenta narrativa basicamente os diálogos e as interpretações afiadas do elenco.

 

Em 2006 diretor dirigiu seu melhor filme desde “Comboio do Medo” baseado na peça do autor Tracy Lets que também assina o roteiro o longa “Possuídos” é uma perola. Um filme tão violento e complexo psicologicamente quanto seus melhores trabalhos dos anos 70. O filme é um retrato cru e insano sobre a paranoia e a loucura. Filmado quase todo em um só ambiente o filme se apoia em roteiro coeso, e aterrorizante, e nas interpretações viscerais dos atores. Resultado é um dos filmes mais malucos, cruéis e sádicos da história do cinema. Genial!

 

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Pouco mais de quatro anos depois, novamente ao lado Tracy Lecy, o diretor fez um filme tão (terrível) genial quanto antecessor, no caso, a obra prima “Killer Joe”. Também baseado na peça de Lecy que ele mesmo adaptou para um roteiro, Killer Joe é um filme sobre pessoas medíocres, num submundo sujo e sem esperança. O filme pode ser descrito com filme de submundo envolvendo assassinatos e violência ancorado por texto brilhante e cheio de humor negro. Seria mais ou menos (explicação para moça que está aprendendo sobre Tarantino agora) como se Tarantino fosse mais realista e surtado (muito mais surtado). Enfim elenco espetacular, direção muito eficiente e roteiro inteligente dão tom desse ultimo filme do diretor até aqui. Claro, mas nenhum desses elogios prepara o telespectador para clímax do filme. Faz jus ao final comicamente obscuro de “Sangue Negro” ou melhor cena do “Massacre da serra elétrica” (original) onde família de psicopatas está toda reunida para jantar e a personagem principal está amarrada vem todo aquele terror.

 

Curiosidades sobre diretor:

 

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1. Num dia das filmagens de Operação França, o ator Gene Hackman, não mais suportando o perfeccionismo e o autoritarismo de Friedkin, abandonou o “set” para não trocar socos com o diretor. Não foi só Hackman isso se tornou recorrente principalmente nas filmagens de “Comboio do Medo” em que diretor demitiu quase todos envolvidos no filme.

 

2. Friedkin usava várias crueldades para extrair interpretações contundentes dos atores e atrizes. Em O Exorcista, por exemplo, durante as filmagens da seqüência em que o Padre Karras ouve atentamente a gravação da garota possuída pelo demônio, o que, em seguida, o faz tomar um susto com o barulho do telefone, o diretor disparou um tiro de revólver perto do ator Jason Miller, que, desavisado, assustou-se de verdade. A cena foi incluída no filme.

 

3. Na sessão do “O exorcista” por conta da repercussão do longa, vários espectadores nos Estados Unidos recebiam sacos de vômito antes de entrar nos cinemas.

 

4. O diretor William Fridkin não poupou esforços para assustar seus atores, chegando a dar tiros no ar sem avisar ninguém no meio das filmagens. Ele ainda encomendou um freezer gigante para “esfriar” o set. Linda Blair, no entanto, só usava sua camisola nas cenas e acabou pegando pneumonia.

 

Top Five diretor (por ordem de lançamento) e suas cenas inesquecíveis:

 

1. “Operação França” tem perseguição de carro mais famosa da história do cinema, uma final inclusivo e obscuro. Mas é também famoso pela cena em que personagem atira em um homem pelas costa o que mostra inversão de valores do filme em relação aos outros mais conservadores da época.

 

 

2. “O Exorcista” tem tantas cenas macabras: A menina vomita sem parar, anda escada baixo de costa, gira cabeça. Mas nada supera a cena em que menina se masturba com crucifixo falando heresias.

 

 

3. “Comboio” do medo tem varias cenas e imagens marcantes: o assalto na igreja, o casamento na igreja com noiva de olho roxo, a sujeira do vilarejo para onde vão os protagonistas, a revolta do povo, árvore no meio do caminho e etc. Mas dentre várias cenas fortes é impossível esquecer cena em caminhões com dinamite atravessando pontes arcaicas nem pouco seguras (o que é aquela cena onde surge monte de galhos na ponte? no minimo agoniante.)

 

 

4. Possuidos é outro exemplo do cinema forte do diretor. Casa do cheia papel alumínio (ou algo parecido nas paredes), diálogos malucos e terríveis, mas nada supera o personagem arrancando os próprios dentes. Ok, a cena final talvez supere mas aí seria estragar surpresa.

 

 

5. Killer Joe também cheio de cenas que nunca sairão da cabeça de muita gente. Mas apenas duas palavras podem definir a cena mais “foda” do filme e dos últimos anos “Coxa de Galinha”.

 

 

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