Whiplash – Em busca da perfeição

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É o trabalho de estreia como diretor do roteirista Damien Chazelle, mas tudo funciona tão bem que soa como o trabalho de um veterano. Chega ser impressionante o domínio da linguagem cinematrografica, mostrada pelo cineasta. Vamos ao filme, Whiplash em teoria seria só mais um filme de relação entre mentor e pupilo ou bom filme sobre jazz, mas o longa é na verdade uma pulsante e empolgante história sobre obsessão e teste dos limites humanos.

No filme o introvertido Andrew (interpretado excelentemente por Milles Teller) é um jovem baterista que toca num conservatório (Shaffer, a melhor escola de música dos Estados Unidos) e sonha em se tornar o melhor baterista da sua geração. Sua grande chance vem quando ele é notado pelo, temido e reverenciado, professor Terrence Fletcher (JK Simmons, que ganhou Globo de Ouro essa semana pelo filme). Então, convocado por Fletcher, Andrew consegue finalmente entrar para orquestra principal do conservatório.

Mas logo Andrew descobre que terá um caminho bem mais árduo do que ele imaginava para chegar ao seu reconhecimento artístico. Para Andrew conseguir atingir seus objetivos primeiro terá que provar sua competência, na verdade genialidade, ao mestre Fletcher. O problema é que o temperamento explosivo e perfeccionista de Fletcher torna isso ainda mais difícil.

O personagem de Simmons, o mestre de Jazz Terrence Fletcher, é uma figura complexa, muitas das vezes abusiva, cruel e sádica com seus alunos (músicos), sempre os testando os até o limite, em busca da música perfeita. O personagem soa como uma espécie de sargento linha dura, chegando ao extremo de agredir fisicamente e psicologicamente seus alunos. Num jogo que pode parecer perverso, mas tem certo sentido na lógica do personagem.

Nesse ponto da trama, Andrew começa se tornar cada vez mais obstinado, quase obsecado, pelo seu sonho. Andrew então se submete a todas as humilhações, a todos os limites físicos (são muitas as cenas que vemos sangue caindo sobre a bateria), todo tipo stress e jogos psicológicos para atingir sua perfeição, mesmo que isso signifique o fim de sua vida social e seu esgotamento físico e mental.

Enfim, Whiplash é um filme sobre os limites, obsessão, perfeccionismo e perseverança. Mas um dos seus maiores méritos é contar sua história de forma muito inteligente e sutil, sem qualquer julgamento ou lição de moral. Muito pelo contrário o filme tem um roteiro muito ágil e surpreendente. Outro grande mérito do filme está na montagem, e no excelente uso da edição de som, que da ao longa um ritmo intenso, quase como se pudéssemos enxergar a música.

Whiplash

Tudo flui de forma tão rápida e deliciosa, que às vezes entre um riso e outro pelas tiradas ótimas de Simmons, perdemos um pouco da noção da intensidade da trama, só lembramos novamente quando vemos a quantidade sangue e suor que caí sobre a bateria.

Moral da história, Whiplash é um filme ágil, inteligente, forte e surpreendente (e que tem o que dizer). De longe uma das melhores surpresas do começo do ano. Um filme indicado para todos, principalmente para os amantes de boa música (obs: claro a trilha sonora é espetacular).

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